Dark Nuns: Song Hye-kyo e Jeon Yeo-been Num Exorcismo de Dar Arrepio

**Dark Nuns** chegou à Netflix com o peso de dois nomes que sozinhos já justificam o play: **Song Hye-kyo** e **Jeon Yeo-been**. Uma, a atriz mais famosa da Coreia do Sul. A outra, a rainha do cinema de gênero depois de *Vincenzo* e *After My Death*. Quando o diretor **Park Hoon-jung** — o mesmo de *I Saw the Devil* e *New World* — decidiu colocar as duas num exorcismo de alto risco, a expectativa foi às alturas. O resultado? Um filme que divide opiniões, mas que é impossível de ignorar.

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O que você precisa saber antes de assistir

Título original
검은 수녀들 (Geomeun Sunyeodeul)
Direção
Park Hoon-jung
Ano
2025
Duração
116 minutos
Gênero
Horror sobrenatural / Thriller religioso
Onde assistir
Netflix
Classificação etária
16+
Nota TMDB
7.1 / 10

O enredo em poucas palavras (sem spoilers maiores)

Duas freiras de ordens completamente opostas — uma carismática e impulsiva (Jeon Yeo-been), a outra contida e metódica (Song Hye-kyo) — são convocadas para realizar um exorcismo em um garoto de 12 anos que tem sido consumido por uma entidade que os médicos não conseguem explicar. O que começa como uma missão religiosa vai se tornando cada vez mais pessoal, revelando segredos sobre fé, trauma e o preço de lidar com o mal sobrenatural.

Cena de atmosfera sombria evocando o thriller Dark Nuns
A atmosfera sombria de Dark Nuns mistura horror religioso com thriller psicológico

A dupla que faz o filme funcionar

O grande trunfo de *Dark Nuns* é a química — ou melhor, a fricção — entre as duas protagonistas. **Jeon Yeo-been** entrega uma performance física e intensa: sua freira parece movida por uma fé raivosa, quase desesperada, como se ela precisasse do exorcismo tanto quanto o garoto. É o tipo de atuação que você não esquece porque vai contra o instinto — nenhuma freira de cinema parece assim.

**Song Hye-kyo** faz o oposto: contenção total. Seu rosto comunica volumes enquanto suas palavras dizem pouco. Para uma atriz conhecida por papéis emocionalmente expressivos em dramas, essa escolha de interpretação é uma surpresa bem-vinda. A combinação dos dois estilos cria uma tensão constante que funciona independentemente do enredo sobrenatural.

Eu queria que as duas freiras representassem dois tipos de fé — uma que grita para Deus e uma que escuta em silêncio. Ambas igualmente desesperadas.

— Park Hoon-jung, diretor (entrevista para a OSEN, 2024) [VERIFICAR]

Park Hoon-jung: o mestre do thriller coreano

Entender *Dark Nuns* exige entender quem é Park Hoon-jung. Ele é o roteirista e diretor responsável por alguns dos filmes mais sombrios e inventivos da Coreia dos últimos 20 anos. Não é um cineasta de horror clássico — é um cineasta de thriller que usa o horror como ferramenta para explorar violência, moralidade e o que pessoas comuns fazem quando confrontadas com o inexplicável.

  • **I Saw the Devil (2010):** um dos filmes de crime mais perturbadores do cinema asiático — roteiro de Park Hoon-jung
  • **New World (2013):** crime épico sobre infiltração policial em máfia — considerado o melhor filme coreano dos anos 2010 por muitos críticos
  • **The Wailing (2016):** dirigido por Na Hong-jin com roteiro que Park contribuiu — mistura de horror e thriller policial
  • **The Gangster, the Cop, the Devil (2019):** blockbuster de ação que virou franquia, com remake americano em produção
  • **Dark Nuns (2025):** seu primeiro mergulho fundo no horror religioso como diretor principal

O horror religioso na Coreia: um contexto importante

Filmes de exorcismo e horror religioso têm uma história específica na Coreia do Sul. Diferente do horror americano, onde o catolicismo é o pano de fundo padrão desde *O Exorcista*, a Coreia tem uma mistura religiosa complexa: protestantismo evangélico forte, catolicismo histórico, budismo popular e xamanismo coreano (*musok*). Os melhores filmes de horror coreano geralmente exploram esse sincretismo, criando rituais e entidades que não se encaixam em nenhuma caixa religiosa específica.

Pontos fortes do filme

Pontos positivos

  • Química elétrica entre Song Hye-kyo e Jeon Yeo-been — dois estilos de atuação que se complementam perfeitamente
  • Direção de fotografia excepcional — o filme usa luz e sombra de forma que evoca pinturas religiosas barrocas
  • O garoto possuído (interpretado por um jovem ator revelação) é genuinamente perturbador sem recorrer a truques baratos
  • O terceiro ato inverte expectativas de forma surpreendente — quando você acha que sabe para onde o filme vai, ele muda
  • Produção de alta qualidade: locações, figurino e trilha sonora criam uma atmosfera coesa do início ao fim

Pontos de atenção

  • O segundo ato se perde em exposição — há cenas de explicação que diminuem o ritmo sem adicionar tensão
  • Alguns personagens secundários são subdesenvolvidos, especialmente os membros da família do garoto
  • A mitologia sobrenatural do filme nunca é completamente explicada, o que pode frustrar espectadores que querem respostas
  • Comparações inevitáveis com outros clássicos do gênero revelam algumas convenções que o filme não subverte

A fotografia que transforma o filme

Um dos maiores trunfos técnicos de *Dark Nuns* é a **fotografia de Kim Ji-yong**. O diretor de fotografia escolheu uma paleta deliberadamente dessaturada, dominada por cinzas azulados e verdes frios, com iluminação que parece vir de velas mesmo em ambientes modernos. Há um trabalho notável de **composição assimétrica** — os personagens raramente estão centralizados no frame, criando uma sensação constante de desequilíbrio que reforça o tema.

Comparando com outros exorcismos do cinema asiático

Comparação com outros exorcismos asiáticos

Horror Acesso. (1-5) Atuação Atmosfera
Dark Nuns (2025) Slow-burn religioso 4 ★★★★★ ★★★★
The Wailing (2016) Terror mitológico denso 3 ★★★★★ ★★★★★
Exhuma (2024) Xamanismo popular 5 ★★★★ ★★★★
The Exorcist (1973) Clássico católico 5 ★★★★★ ★★★★★

A trilha sonora: silêncio como instrumento

O compositor **Kim Tae-seong** fez escolhas incomuns para *Dark Nuns*. Em vez da trilha orquestral convencional de filmes de horror, há longos momentos de silêncio pontuados por sons diegéticos amplificados — passos, respiração, o ranger de madeira velha. Quando a música aparece, é frequentemente coral, evocando missa em latim, mas dissonante o suficiente para criar desconforto. É uma abordagem que premia quem assiste com fones de ouvido em volume alto.

Como assistir: guia prático

  1. Ambiente certo

    Dark Nuns funciona melhor à noite, com luzes apagadas e fones de ouvido. A fotografia escura foi pensada para telas escuras — não assistir em ambiente muito claro.

  2. Contexto cultural

    Saber que a Coreia tem uma história de catolicismo perseguido e xamanismo popular enriquece a leitura. O filme dialoga com ambas as tradições.

  3. Paciência com o segundo ato

    O filme tem um ritmo irregular — o segundo ato é mais lento. Resista ao impulso de acelerar: algumas informações expositivas são importantes para o clímax.

  4. Foco nas atuações

    Mesmo quando o horror recua, observe as expressões das protagonistas. O filme frequentemente conta a história real através de micro-expressões, não de diálogo.

O impacto no contexto da carreira das atrizes

Para **Song Hye-kyo**, *Dark Nuns* representa uma fase de reinvenção deliberada. Depois de *The Glory* (2022-2023) — em que ela interpretou uma sobrevivente de bullying em busca de vingança — a atriz claramente decidiu abandonar os dramas românticos que a fizeram famosa e explorar territórios mais sombrios. A escolha de *Dark Nuns* reforça esse compromisso. É um risco calculado: filmes de horror raramente ganham prêmios, mas solidificam credibilidade artística.

**Jeon Yeo-been** já havia estabelecido sua versatilidade em *Vincenzo* e nos filmes independentes que fizeram sua reputação. Em *Dark Nuns*, ela usa toda essa base técnica para uma performance que vai além do que qualquer papel anterior havia exigido dela. Há momentos no terceiro ato em que a câmera simplesmente para em seu rosto e deixa ela trabalhar — e ela entrega.

A recepção: crítica vs. público

A recepção de *Dark Nuns* revelou um gap incomum: a crítica foi mais fria do que o público. Enquanto sites especializados de horror dividiram opiniões sobre o ritmo e a resolução, o público da Netflix — especialmente na Ásia e no Brasil — colocou o filme consistentemente no top 10 por semanas. O que explica a diferença? Provavelmente as expectativas: críticos de horror queriam inovação no gênero; o público queria ver Song Hye-kyo e Jeon Yeo-been num thriller de alto calibre. O filme entrega o segundo muito mais do que o primeiro.


Vale o hype?

Se você vai com expectativa de ser aterrorizado no nível de *The Wailing* ou *Exhuma*, pode se frustrar. *Dark Nuns* é menos um filme de horror e mais um **thriller de personagem com elementos sobrenaturais**. O verdadeiro horror aqui é humano: a fé testada até o limite, o trauma não resolvido se manifestando como monstro, o preço psicológico de enfrentar o inexplicável. Para quem quer ver duas das melhores atrizes do cinema coreano trabalhando em um material denso, com direção de alto nível, o filme é excelente.

Dark Nuns não vai te assustar muito. Mas vai te prender do começo ao fim com duas atuações que mostram por que Song Hye-kyo e Jeon Yeo-been estão entre as melhores da Coreia do Sul.

Dark Nuns (2025): 7.5/10

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